vascobzky Escreveu:Jorge quanto ao que dizes concordo em parte mas deixo aqui umas questões.
Em termos de arbitragens quanto recebe a FAP por estar com 24 equipas numa 1ª divisão ?? Mais ou menos que o ano passado ?? E com as multas ??
Aquilo que veio no site de Braga é verdade sem dúvida. Madeira SAD, Gil Eanes têm dinheiro e vão buscar jogadoras fora, agora o Alavarium também consegue ter essa capacidade, estmulam o andebol por um lado, mas enfraquecem-no pelo outro. Jovens talentos a jogar jogos equilibrados no norte, e os jovens talentos do sul, que jogos equilibrados têm tido ???
Que benefícios para uma seleção nacional que até esteve num Europeu hà bem pouco tempo, ao contrário dos nossos seniores, e tem uma 1ª divisão que até Março tem jogos com os resultados que temos visto ??
Agora pelo olhar da FAP, se calhar eles pensam, perdem tanto na seleção e não há equipas profissionais?? Para quê investir tanto se depois os resultados não aparecem....
É um tema que dá panos para mangas e que só olhando para a base do andebol feminino é que poderemos opinar. Até na nossa sociedade a mulher ainda não tem o pedo que deveria ter. Felizmente as mentalidade vão mudando
Vascobzky, o que deixei foi uma ideia de modelo de competição, que, admito, está longe de ser perfeita.
As questões que deixaste são pertinentes, e nós, sozinhos, não conseguimos mudar a mentalidade da sociedade.
Se reparares, no modelo que deixei, com 2 zonas de 7 equipas cada, a Zona Sul ficaria sem as equipas mais fracas, e que nem sombra fazem às equipas mais fortes. A questão do nº de jogos ficaria arrumada pela multiplicação do nº de voltas na 1ª fase. Assim, mesmo na Zona Sul, os jogos ficariam (em princípio) mais equilibrados.
No entanto, a questão do equilíbrio dos jogos não tem só a ver com o modelo da competição, mas também com a capacidade das jogadoras acreditarem que vão ganhar cada partida., ou seja, com a mentalidade competitiva de cada equipa. É certo que é mais fácil ter mentalidade competitiva quando se fez, no dia de jogo, uma deslocação pequena, o desgaste é menor, há mais hipóteses de ter apoio nas bancadas, etc ...
Quanto ao interesse que a FAP teria em ter um campeonato com muitas equipas, penso que a FAP não recebe pelo nº de equipas, mas sim pelo nº de jogos realizados. Se conseguirmos fazer o mesmo nº, ou até mais, jogos, a FAP não receberia menos, e os clubes teriam jogos mais competitivos, e com maior possibilidade de chamar publico às bancadas. Não é a mesma coisa na bancada quando se tem como adversário o vizinho e rival, do que quando se tem uma equipa que veio de longe (e que nem sequer trouxe publico).
Quanto à capacidade de aparecerem equipas profissionais neste campeonato, essa capacidade fica diminuída com a regra de só se admitirem equipas com escalões de formação nos nacionais. Essas equipas só aparecem se houver alguém com dinheiro por trás, e esse alguém, normalmente, é uma pessoa que não tem paciência para esperar muito tempo por resultados, nem para negociar com dirigentes de clubes amadores o patrocínio da sua equipa sénior. Por isso é que acho que a regra de pontuação bónus a quem tenha equipas que concluam os campeonatos nacionais de escalões de formação é mais realista, continuando a premiar o esforço dos clubes com escalões de formação.
Quanto à selecção, ela só pode beneficiar com jogos mais competitivos na PO09 (e penso que a minha formula garantiria jogos mais competitivos). Mas não é só isso. Nós só temos uma jogadora a jogar numa equipa da Liga dos Campeões (Ana Miriam Sousa, no Krim da Eslovénia). Estamos a jogar, no apuramento para o próximo europeu, contra a Roménia e a Ucrânia, que têm equipas e jogadoras a jogarem nessa competição, que é a maior competição de clubes a nível do andebol feminino mundial. Isso paga-se, pois as nossas jogadoras, quando enfrentam as outras equipas e selecções, não têm o mesmo nível de experiência competitiva que só é dado por presenças sucessivas na Liga dos Campeões. A piorar, temos poucas jogadoras a jogar em campeonatos mais competitivos que o nosso, e a grande maioria das que jogam fora jogam em Espanha, que é um campeonato que já viu melhores dias. Contra isso, só se tivéssemos todas as jogadoras da selecção a jogarem num só clube, ou a treinarem muito tempo juntas (como, por exemplo, Angola).
Concordo que o tema dê pano para mangas. E que temos de acarinhar os escalões de formação.
Também concordo com o que escreves acerca das mentalidade. Um exemplo: Ainda há pouco tempo, era quase impossível ver jogadoras casadas, com filhos, e/ou carreiras a estabelecerem-se, a jogar sem receber dinheiro. Quando chegavam aos 18 anos, iam para o ensino superior, depois havia a carreira profissional, o casamento, os filhos, e quando se "livravam disso tudo", já tinham 40 anos de idade. Hoje em dia, já há bastantes equipas que têm jogadoras casadas (algumas com filhos) e a trabalhar, mesmo nas equipas puramente amadoras.